quinta-feira, 30 de junho de 2016

Pós-operatório do Micro Transplante Capilar: Dia 1

Fotos comparativas: Dia do Micro Transplante Capilar e após 24h


24 horas após o Micro Transplante Capilar

24 horas após o Micro Transplante Capilar

24 horas após o Micro Transplante Capilar

Logo após o Micro Transplante Capilar

Logo após o Micro Transplante Capilar

Logo após o Micro Transplante Capilar


(…) “Dormiste bem”, perguntou-me o meu filho ao pressentir que já me tinha levantado. “Sim dormi muito bem e só me levantei para mudar o resguardo da almofada”, respondi-lhe, pronto para tomar o pequeno-almoço.

Não tinha dores, nem qualquer inchaço na testa, situação que o médico me tinha alertado, pedindo para evitar ler ou trabalhar no computador com a cabeça inclinada para baixo.

Comecei a manhã a regar a cabeça com soro fisiológico, prática que sabia ter de repetir de 1/2 em 1/2 hora. Segui a sugestão do médico e guardei o aspersor do soro no frigorífico. Aquele fresco na cabeça soube-me bem.

Tomado o Omeprazol em jejum, os 2 comprimidos de “Medrol” e a Flucloxacilina foram engolidos com o galão da manhã.

“Pai estou a precisar de comprar umas t-shirts. Achas que dá para irmos às compras”, perguntou-me o meu filho, sabendo de antemão qual era a resposta.

Apanhamos o Metro para o Colombo. Começamos pelas marcas associadas ao surf e acabamos na H&M e na Primark, coisa impensável há 6/7 anos, altura em que só a Billabong e a Quiksilver lhe “assentavam” bem!

E claro, para “regar” a cabeça de 1/2 em 1/2 hora só se consegue regando em qualquer lado: nos corredores do Centro Comercial, no Metro, na rua ou na esplanada. O único cuidado foi não "regar" alguém nas redondezas. É uma operação de 15 segundos, contando o tempo para tirar e pôr o aspersor na mochila.

Sempre a circular, engraçado foi perceber o olhar curioso/intrigado de alguns transeuntes mais atentos, que apenas queriam confirmar se eu tinha caído de costas pela escada abaixo ou se eu era figurante da série “Walking dead”!

A rotina dos cuidados pós-operatórios terminou, antes de ir dormir, com a lavagem cuidada da “zona doadora” e com a toma da Flucloxacilina da meia noite!


Belo dia, bem passado, não foi João? (…)

       

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Pós-operatório do micro transplante capilar - Dia Zero

Antes c/ cabelo (mal distribuído)

Antes c/ cabelo rapado

Depois do Micro Transplante Capilar

(...)

Com muito cuidado às cabeçadas, entrei e sai do táxi, são e salvo!

Tinha o meu filho à espera. Depois daquele abraço, diz-me ele: “gosto de te ver de cabelo rapado”; “pareces o ator da serie X” ou “o cantor da música Y” ou “o jogador da equipa Z”.

Logo disparou as perguntas óbvias: “Tens dores”? “ Isso doeu-te muito”? Respondi que estava bem, sem dores e que o Micro Transplante Capilar também não doeu. “Tenho apenas a sensação de capacete na cabeça”!

“Tens que ficar em casa … ou podes sair”, perguntou-me. “Posso fazer a vida normal, evitando o sol, as cabeçadas, os movimentos bruscos e nos próximos 4 dias tenho de regar a cabeça, de 1/2 em 1/2 hora, com soro fisiológico. Menos à noite".

"Como é que vais dormir"? "Tenho de enrolar a almofada com fita-cola para a zona recetora não tocar na almofada”.

“Então onde é que vamos jantar”, perguntou-me. “Há uma hamburgueria aqui perto". Referia-me a outra, mas acabamos no Macdonald’s.

Tomei 2 comprimidos de “Medrol” (anti-inflamatório) ao jantar. A Flucloxacilina (antibiótico) era só à meia-noite e o “Ben-U-Ron” só em SOS para as dores, que felizmente não apareceram.

Depois de um passeio para ajudar à digestão, tinha de lavar a “zona dadora”, sem tocar na “recetora”, com um champô próprio e compressas de gaze esterilizado para funcionar como esponja.

O procedimento é muito simples, mas tem de ser feito com a ajuda de alguém ou então com um “espelho retrovisor”. É que entre a zona dadora e a recetora resta um dedo de distância e sem ver onde acaba uma e começa a outra, fica complicado.

Apenas sangrou um dos "furos" da zona dadora, que, tal como me tinha sido explicado, estancou depois de pressionado com a gaze.

Ah, e para dormir não dá para usar t-shirt, nem qualquer roupa de vestir pela cabeça. Já antes do Micro Transplante Capilar fui avisado que tinha de usar, durante 2 semanas, de noite e de dia, camisas de botões. 

O Dia Zero começou bem ... e acabou muitooo melhor! Não é difícil descobrir porquê. Não é ... João?

(...)




quinta-feira, 16 de junho de 2016

“Dia do Micro Transplante Capilar” (Parte IV)








Fotos - Dia do Micro Transplante Capilar


(...) “Só faltam 800 folículos”, disse o médico. “Vai deitar-se e virar-se para o lado esquerdo para extraí-los da lateral-direita”. Testada a eficácia da anestesia, o médico ligou o “punch”.
http://arrelveiosintetico.blogspot.pt/2016/06/dia-do-micro-transplante-capilar-parte.html)

“Esta é a minha posição favorita para dormir”, comentei. “Vem a calhar. Nos próximos 4 dias é assim que deve dormir. Depois explico-lhe como vai fazer para a almofada não tocar na zona recetora”.

“Continuamos com música ou pomos um canal de notícias”, perguntou o médico. Voltamos à atualidade e deu para perceber que o mundo não tinha mudado muito.

“Dê-me a contagem dos folículos”, pediu o médico à enfermeira do 2º turno.

Virei-me para a direita para continuar o procedimento na lateral-esquerda.

“Já temos os folículos todos. Fazemos agora um intervalo para prepararmos a última fase”. O médico olhou para o relógio na parede e disse-me: “às oito e meia já vai estar despachado”!

Aproveitei para responder às sms´s da família e saber que o meu filho chegava a Lisboa por volta das 20h.

Bem recostado na marquesa e depois de testada a anestesia (local) comecei a “desfrutar”. “Desfrutar”, perguntou-me a enfermeira. “Sim, não me incomoda, nem dói. Até me dá gozo sentir a colocação do plantio”.

Quando perguntei sobre a qualidade dos folículos, o médico informou-me que, na extração da manhã, se atingiu uma média de 2,2 cabelos por folículo e à tarde 2,1. “É bom”!

Eram 20.45h quando o médico anunciou que tinha terminado o micro transplante capilar.

Explicados os cuidados a ter com a hidratação, com a lavagem, com a almofada para dormir e referenciados os hipotéticos sintomas do pós-operatório, preenchi o inquérito da satisfação do cliente.

“Vamos à última sessão fotográfica”, pediu a enfermeira, aproveitando para insistir sobre os cuidados para evitar cabeçadas. “Muito/muito cuidado a entrar e a sair do carro”.

No corredor o médico esperava para se despedir. “Foi um prazer conhecê-lo. Neste caso, não posso dizer … «até uma próxima». Todos desejamos que não haja … próxima! (...)

terça-feira, 14 de junho de 2016

“Dia do Micro Transplante Capilar” (Parte III)


                       Folículos implantados até tracejado do topo da cabeça

                           
                                                       Implanter


(...) “Já chega de SIC/N”! De facto já sabíamos as notícias do dia … de cor e salteadas. “Agora, vamos passar para um canal de música. Que tipo de música é que gosta”, perguntou-me o médico. Sintonizados no VH1, foram 3 horas de boa música e conversa agradável.

Até deu para conhecer a nova música dos Coldplay. “Sim, pela voz parece-me Coldplay”, respondeu a enfermeira à pergunta do médico, sem tirar os olhos da bateria de “implanters” à espera de serem carregados com os folículos.

Estão a ver aquelas esferográfica (com mola)? O “implanter” é parecido. Na ponta tem uma “agulha” oca com uma ranhura lateral, onde a enfermeira, com destreza, coloca um folículo por “caneta”. É com essa agulha que o médico abre o orifício no couro cabeludo e “dispara” a caneta para deixar o folículo “implantado”.

Se não me consegui explicar (e se não é impressionável) pesquise no YouTube por “implanter micro transplante capilar”.

Ah, e desta vez numa posição bem confortável. Deitado na marquesa de barriga para cima e com o tronco recostado a (+/-) 30 graus, até deu para “passar pelas brasas”.

Cerca das 17.00h acabou a 2ª fase. Da coroa até meio da cabeça foram implantados 1900 folículos. Missão cumprida a 70%.

E chegou a hora de comer uma fatia de bolo. Era dia de aniversário. “Quantos anos me dá”, perguntou a enfermeira. Com tanta “arma branca” ali à mão, alarguei o intervalo de segurança: “26, …, 27, … 28” e acertei ... no limite superior! (...)

quinta-feira, 9 de junho de 2016

“Dia do Micro Transplante Capilar” (Parte II)





(…). Voltei à sala do “bloco”. O médico explicou-me as fases do “procedimento”: “Vamos fazê-lo em 4 fases. Até à hora do almoço extraímos o máximo de folículos da parte posterior da cabeça, depois do almoço vamos implantá-los, começando pela coroa e seguindo para a frente. Na 3ª fase extraímos os restantes folículos das laterais e acabamos o dia a implantá-los”.

Eram 9.50h, quando me deitei na marquesa de barriga para baixo. “Vai sentir umas picadas para eu aplicar a anestesia (local)”. Nada de especial. Passados 10 minutos e testada a anestesia, o médico ligou o “punch”.

O “punch” é uma espécie de broca oca e com 0,8mm de diâmetro que corta “micro cilindros” do couro cabeludo e onde se encontram os folículos.

Contei 100/150 “punchadas” de cada vez. A “broca” foi desligada. Com uma pinça na mão direita retirou “cilindro a cilindro” e pousou-os, um a um, sobre a luva da mão esquerda para colocá-los numa pequena taça de vidro.

É ao microscópio que descartam os folículos inviáveis e se separam os têm 1, 2 e 3 cabelos.

Foram 3.30h a extrair 1900 folículos. Faltavam mais 800 até atingir os 2700. Às 13.30h paramos para almoçar uma sopa, uma baguete de frango e um sumo de laranja.

Tudo ok! De estranho, apenas o nariz entupido e a cabeça a andar à roda quando me levantei. “Isso é normal”, disse o médico. “Foram muitas horas de cabeça baixa. Sente-se na marquesa e movimente devagar os braços e as pernas”. Passou rápido!

Os 30 minutos de almoço foram entremeados com sms’s para a família.

A manhã passou-se bem à conversa com o médico e com a enfermeira. Zero dores e a ouvir a SIC/Notícias.


terça-feira, 7 de junho de 2016

“Dia do Micro Transplante Capilar” (Parte I)



No dia programado para o "procedimento" (designação que dão à "cirurgia" do Micro Transplante Capilar), cheguei à Clínica pelas 8.20h.

Aguardei na sala de espera até às 8.40h. Antes de mim tinham chegado outros 3 "clientes" (dois homens e uma senhora).

Foram buscar-me à sala de espera, com paragem na receção onde efetuei o pagamento e me entregaram a fatura e o recibo.

Mais alguns metros até ao elevador. No 1º andar fui apresentado à enfermeira que me levou até à última sala do corredor dos “blocos” e me pediu para vestir o fato descartável.

À entrada fui cumprimentado pelo médico que posteriormente me explicou como se iria desenrolar o “procedimento” e me questionou sobre o desenho da zona do micro transplante capilar.

Simples: “Doutor quero manter as entradas, tal como estão, e preencher a coroa e o topo da cabeça”.

Um primeiro desenho ainda com cabelo para assinalar o contorno das entradas e passei para a “barbearia”.

“Pronto, já está. Com pente 1 [cujo espelho me surpreendeu :)], agora já só saio daqui com o meu [querido] cabelo … muito melhor distribuído”!

 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

"A justificação"


Quando ultrapassamos as linhas imaginárias da nossa “zona de conforto”, por antecipação, gostamos de preparar uma boa “justificação”, tipo desculpa. Se pensamos em trocar os óculos por lentes de contato é porque nos incomodam em dias de chuva. Se colocamos um aparelho nos dentes é para trincarmos melhor e se tratamos os quilos a mais é pela nossa saúde. 
  
É assim, porque normalmente resistimos à mudança das nossas rotinas. É assim, porque a “justificação” funciona como o GPS que nos permite circular por caminhos desconhecidos mas com a tranquilidade de não nos perdermos no regresso a casa.

Tentei resistir à tentação de inventar a “justificação”. Para memória futura, decidi fazer um Micro Transplante Capilar porque “sempre gostei do meu [querido] cabelo que estava (muito) mal distribuído”. Admito que foi uma bela “desculpa esfarrapada”. Está feito!